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domingo, 12 de agosto de 2012

Meu pai

Como hoje é dia dos pais, vou escrever uma história que nunca me saiu da cabeça e acredito que nunca sairá
Por Oscar Filho do CQC

Oscar Filho
Quando era criança, eu era extremamente mimado e chato em relação a comida. Ficava fazendo firula para comer o que tinha no prato além de choramingar quando eu não queria comer algo que fosse servido pra mim.

Sabe a criança que diz que não gosta de determinado alimento e quando é questionado se já comeu, ela diz que não? Pois é, eu era bem desse tipo: não gostava do que eu nunca tinha provado.
Muitas vezes sobrava muita comida no meu prato justamente por ser muito fresquinho.
Aos domingos, meu pai sempre levava minha irmã e eu para dar uma volta. Fosse num parque, numa sorveteria, andar de carro, ver as paisagens…
Num desses domingos meu pai me disse que iria me levar pra passear. Mas só a mim, minha irmã não iria junto.
Entrei no carro e ele começou a guiar para um lugar longe, bem distante da cidade.
Era tão longe que eu fiquei com um certo medo. Era um lugar que não havia muitas casas, era estrada de terra e as poucas pessoas que eu via pareciam bastante pobres. Logo me dei conta que estavamos indo para o lixão da minha cidade.
Meu pai parou o fusca azul, desligou o carro, olhou pro relógio de pulso e falou:
- Já deve estar quase no horário…
Eram dez e pouco da manhã quando eu vi o caminhão de lixo chegar. Ele disse:
- Eu quero que você apenas observe o que vai acontecer.
E eu observei… Muitas pessoas, principalmente crianças, correram para debaixo do caminhão justamente no momento em que ele descarregava o lixo. Elas se empurravam a fim de conseguir o máximo de “comida” que encontravam ali.
Algumas pessoas, principalmente crianças, além de segurar, comiam alguns resíduos ali mesmo tamanha a fome que mostravam sentir.
Não durou muito tempo… O caminhão foi embora e tudo o que parecia estar fresco, na concepção deles, levaram para, provavelmente, a casa deles.
Aquela situação me fez chorar. Não foi um choro compulsivo, desses que nos fazem soluçar. Foi um choro de um ser humano que entende alguma coisa dentro de si e que não sabe exatamente o que é, mas certamente um dia saberá.
Mesmo assim, meu pai me disse:
- Essas crianças são pobres. Elas não tem o que comer. Por isso elas dependem do lixo que é jogado aqui. Consegue imaginar o cheiro disso?
Eu não respondi, mas eu imaginava sim. Imaginava porque eu podia sentir o cheiro dali mesmo estando a certa distância daquelas crianças.
Sem esperar minha resposta, continuou:
- Consegue imaginar o gosto disso que eles estão comendo?
Isso eu não sabia, mas dava para imaginar.
- Pense um pouco, meu filho: sua mãe faz uma comida gostosa. Ela te serve quentinha. É uma comida saudável. Graças a Deus nós temos condições de dar isso pra você e pra sua irmã. Da próxima vez que a sua mãe te servir, tente se lembrar dessa cena que você acabou de ver. Com tanta gente com fome no mundo e você com frescura pra comer. Entendeu?
Mais uma vez eu não respondi. Eu, simplesmente, não consegui.
Meu pai ligou o carro, deu a volta e fomos pra casa. Durante todo o caminho fui com o coração bastante apertado. Aquela cena realmente foi muito forte pra mim.
Hoje eu não lembro dessa história porque lembrar sugere que um dia eu esqueci, e essa história, para mim, é impossível esquecer. Ela é tão forte que a sensação do coração apertado que eu tive quando ia pra casa naquela época com uns 7 ou 8 anos de idade é bastante parecida com essa que eu estou sentindo escrevendo isso agora.
Foto da época: meu pai, minha irmã Vivian, eu e uma amiga dela (de azul) 
Fonte: Blog do Oscar Filho

domingo, 13 de maio de 2012

Cheiro materno

Homenagem do Slqnoticias à todas as Mães quitundenses
Por Anobelino Martins


Hoje pela manhã senti um cheiro suave no cobertor da minha cama... Cheiro de carinho, de cuidado, envolto as pequenas porções constantes de atenção e dedicação que venho recebendo desde o momento que fui envolvido no colo da pessoa mais linda que já conheci em toda a minha vida...

Esse cheiro me levou a regressar no tempo e a sentir o carinho das noites em claro, a atenção nos momento de fome, o embalo na hora do sono e o aconchego no regaço do amor incondicional de quem esteve mais íntimo a mim nesta terra árida de dores e nostalgias.

Era a sensação do cheirinho que recebia quando bebê, do talquinho que me deixava bem mimado, do meu banho, da minha roupa, minha comida e do berço que me embalava no conforto mais gostoso da minha infância...

Parece que dormi no meu berço hoje, o mesmo berço em que fui embalado quando criança, e entre aquela melodia mansa, dormi tranquilo velado pelos olhos que hoje me faz escrever estas palavras... Os olhos da minha Mãe... O cheiro suave do seu amor... 

sábado, 17 de setembro de 2011

Quem era aquele jovem?

Reflexão: Por Anobelino Martins

           16 de setembro de 2011, feriado alagoano, saio da minha cidade (São Luiz do Quitunde) para passar o final de semana em Maceió.

Estava no ônibus Ufal/Ipioca da empresa piedade. Tudo estava normal, aparentemente me parecia mais uma viagem de ônibus, até que me deparei com uma cena que me intrigou. Do lado direito do motorista havia um jovem com transtornos mentais, ele tinha bermuda e camisa largas, havaianas desgastadas e o semblante pesado pela mente aterrorizada. Era mais um pobre ser humano à margem de uma sociedade injusta e sem compaixão.

Cada vez que o ônibus parava em um ponto, desciam inúmeras pessoas que tinham aproveitado o dia de feriado, provavelmente numa praia. Essas pessoas zombavam do pobre rapaz, e ele, sem ao menos saber o que estava acontecendo provocava os risos para as pessoas que lhe davam atenção. Parecia que ele estava feliz, sentia-se uma celeridade que encantava a todos com o seu número artístico.

Olhando aquela cena eu me interrogava: quem é mais doente, o jovem com seus problemas psicológicos, ou todas aquelas pessoas que zombavam da condição do pobre moço?

Acredito que são as pessoas, pois aquele rapaz não sabia o que estava fazendo, suas ações eram inconscientes. Já as pessoas sabiam muito bem o que estavam fazendo. Estavam achando a maior graça de uma pessoa que tinha problemas psicológicos e físicos.

Por isso volto a interrogar: Quem é mais doente?

Após uns 20 minutos de “espetáculo”, repentinamente, o jovem salta do ônibus e corre por entre o trânsito de Maceió, quase foi atropelado por dois carros que viam em alta velocidade. Continuou correndo pela pista até ser perdido de vista.

Quem era aquele jovem?

Qual era o seu nome?

Ninguém sabia!

Ninguém se importava com seu estado psicológico ou emocional! Queriam apenas se divertir à custa de suas deficiências. Atitude desumana!

Todos eram doentes!

E ele...

Ele era livre... Livre da desumanidade, mais vítima da falta de compaixão dos que caçoavam de suas mazelas.

Parecia-me ouvir a voz do seu coração que dizia através do seu olhar cansado: Não me importa que zombem de mim, ao menos estão me dando atenção!

Autor: Anobelino Martins 

sábado, 20 de agosto de 2011

Você é jovem ainda?

Reflexã: Por Anobelino Martins 
A canção composta por Roberto Gómes Bolaños me leva a uma reflexão sobre os sentimentos do coração jovem.
Ser jovem é viver com o coração otimista e alegre, mesmo nos momentos de medo e amargura que a vida, muitas vezes nos proporciona.
Com o coração jovem você aprende que engatinhar é o começo de uma grande caminhada, que os tropeços fazem parte de nossa limitação humana, e que a esperança está na alegria da chegada preparada no momento da vitória, nessa grande corrida da vida.
O coração jovem canta no momento da dor, ensina as melodias da alegria aos corações tristes, melodias belas compostas pela força de um sorriso sincero.
Ter o coração jovem é perdoar desinteressadamente, é aprender que sem o olhar amável a vida escurece e a luz dos bons sentimentos é capaz de iluminar o ódio escuro no calabouço dos nossos sentidos.
Com o coração jovem você aprende o verdadeiro valor da amizade, e transmite com seus atos a beleza da vida.
Ter o coração jovem é sorrir mesmo no choro, é brincar mesmo na hora da briga, é sonhar mesmo acordado. Ser jovem é esperar, é ter esperança e jamais desistir. Ser jovem é viver!
E você?
É jovem ainda?